“Ainda Estou Aqui”: A memória da Ditadura Militar no Brasil
- RPI Webtv
- 25 de jan. de 2025
- 3 min de leitura
Por Ana Domingues — rpi webtv
Protagonista no cinema nacional, todo brasileiro já escutou falar do sucesso de “Ainda Estou Aqui”. Mas o que afinal faz deste filme tão importante para o país e para nossa história? Bom, como primeiro foco na raiz de todo o enredo, o povo brasileiro em si tem poucas fontes e relatos de vivências de uma das épocas mais sombrias de nossa história. Inclusive há quem diga que ela nem mesmo existiu.
A Ditadura Brasileira tem diversos responsáveis, lados obscuros e consequências. Porém só é possível contar a história de Eunice Paiva e toda sua família com a Lei de Acesso à Informação, assinado em 2011, pela até então Presidente da República Dilma Rousseff, que foi também uma das vítimas da ditadura militar.
Com financiamento privado de Walter Salles e Globoplay a adaptação do livro, de mesmo nome, escrito por Marcelo Paiva conquistou o público desde o primeiro teaser. Cenas cativantes, elenco talentoso, é possível sentir a dor de cada personagem ao longo da trama.
Cativando não somente o público, mas por diversos críticos, o longa metragem brasileiro conquistou o prêmio de melhor roteiro no Festival de Veneza sendo aplaudido por 11 (ONZE) minutos ininterruptos; foi indicado ao Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro sendo desbancado por Emília Perez e proporcionou a atriz principal, Fernanda Torres, o prêmio de Melhor Atriz de Drama na mesma premiação.
Recordes já foram quebrados apenas com a indicação para o Globo de Ouro, porém como para o brasileiro nada é mais importante que o Brasil conquistar grandes feitos, queríamos uma indicação ao Oscar, afinal conseguimos o Globo de Ouro, o que custa sonhar um pouco mais? Fernanda Torres conquistou o Globo de Ouro e as chances para uma indicação ao Oscar aumentaram, junto às expectativas foram criadas ao redor do país, não do mundo!
Através das redes sociais foi possível ver diversos latinos torcendo para uma indicação do filme, bom sonhar é de graça, mas a vida presta o suficiente para que o longa fosse indicado a 3 (TRÊS) categorias da maior premiação do cinema. Comparando com futebol, é o Brasil chegando em uma final de copa do mundo novamente. Na música? Um artista brasileiro foi indicado ao Grammy. Enfim, acho que deu para entender né?
O retrato de uma época tão sombria da história brasileira conseguir alcançar tantas pessoas ao redor do mundo, coloca nosso país em um patamar inimaginável. Fernanda Torres pediu para que não torcemos como se fosse uma Copa do Mundo, difícil. Para o brasileiro, melhor que nossa cultura, é poder comemorar a vitória dos nossos. Para Rebecca Andrade era difícil desbancar Simone Biles, o brasileiro acreditou e se tornou realidade. Rayssa Leal brincou com os resultados por DUAS vezes no último ano e virou o jogo.
Eu acredito que enquanto existir um brasileiro com fé em outro, existirá uma chance. A indicação ao Oscar trouxe uma visibilidade para um período que estava escondido e que fazem de tudo para que se mantenha assim, Walter Salles, Fernanda Torres, Selton Mello, Fernanda Montenegro e todos que participaram em cada detalhe deste filme, honraram não somente a vida e história de Rubens e Eunice Paiva, mas de cada um dos mortos e torturados pela ditadura militar.
É necessário relembrar para que nunca se repita. Sem anistia.
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