ENSAIOS DA ANITTA: COMO UM DOS MAIORES FENÔMENOS DO PRÉ-CARNAVAL BRASILEIRO SE CONSOLIDOU
- RPI Webtv
- 2 de fev.
- 3 min de leitura
Como Anitta transformou um fracasso anunciado em uma das maiores turnês de Carnaval do Brasil
Por Kelvin Philippe — rpi webtv
O que hoje é um dos projetos mais desejados do pop brasileiro começou na verdade, como um erro quase consensual. Os Ensaios da Anitta, que atualmente lotam arenas, estádios, movimentam marcas e antecipam o clima do Carnaval em diversas regiões do país, nasceram cercados de desconfiança, resistência interna e prejuízo financeiro.
A própria Anitta revelou esse bastidor durante sua participação no Mercado Livre Experience 2025, evento em que, além de anunciar a empresa como patrocinadora master do projeto, fez algo raro no universo das grandes estrelas: abriu publicamente os bastidores de um fracasso.
UMA IDEIA SIMPLES E DESACREDITADA:
O projeto surgiu em 2015, com uma proposta direta: realizar uma turnê pré-Carnaval, com grandes shows, misturando funk, pop e brasilidade, antes mesmo da festa popular começar oficialmente. Hoje, essa ideia parece óbvia. Na época, não.
Segundo Anitta, ninguém “botou fé” no projeto. A própria equipe considerou a ideia arriscada. O irmão e sócio, Renan Machado, temia que o formato prejudicasse a imagem da cantora, que naquele momento passava por um forte reposicionamento de marca, com foco em sofisticação e expansão internacional processo que contou com apoio da agência ERAB. A resistência foi tamanha que, um mês antes da estreia, não havia sequer pré-produção estruturada.
O FRACASSO VEIO E FOI BANCADO:
O resultado foi exatamente o que muitos previram: prejuízo. 2016 foi um ano de perda financeira, 2017 trouxe ajustes, mas ainda sem lucro. Em 2018, o projeto chegou ao ponto de equilíbrio não ganhou, mas também não perdeu. A virada veio apenas em 2019, com um pequeno lucro. Para Anitta, esse processo revelou uma lógica que ainda incomoda muita gente no mercado: "Marca não nasce dando lucro marca nasce insistindo".
Os Ensaios não se tornaram um fenômeno por acaso. Tornaram-se porque entregam sempre a mesma sensação: antecipação, desejo e pertencimento. Não é apenas um show, é uma experiência recorrente, reconhecível e emocional.
2026 E A LEITURA DE TERRITÓRIO:
A edição de 2026 escancara ainda mais essa maturidade estratégica. A escolha de Belém do Pará para abrir os Ensaios não foi aleatória. O Norte do Brasil vem ocupando, nos últimos anos, um espaço central no debate cultural contemporâneo, com a ascensão do tecnobrega, das aparelhagens e de artistas que reposicionam a região como potência criativa não como folclore. Um exemplo claro é o impacto do álbum “Rock Doido”, de Gaby Amarantos, que reafirma a cultura nortista como moderna, urbana e global. Anitta leu esse movimento.
DO PALCO ÀS PLATAFORMAS E DE VOLTA AO PALCO:
O EP “Ensaio da Anitta”, lançado em dezembro, já sinalizava esse direcionamento ao trazer Viviane Batidão, uma das maiores referências da música paraense, na faixa “Só Pra Tu”. Mas a estratégia não ficou restrita ao streaming.
Anitta levou Viviane para o palco, performando ao vivo nos Ensaios, conectando o digital ao território físico e simbólico. É mais do que um feat: é posicionamento cultural, leitura de mercado e valorização regional.
O QUE ESSE PROJETO ENSINA:
Os Ensaios da Anitta provam uma verdade que poucos gostam de admitir: Todo mundo quer o projeto quando ele vira sucesso, mas ninguém quer bancar o prejuízo dos primeiros anos. O que parecia fracasso era, na verdade, uma ideia antes do tempo.
Como já disse Ludmilla certa vez e a frase ecoa com força hoje:
“Deve ser horrível não gostar da Anitta. Olhar pra cara dela e não poder chamá-la de fracassada.”
No fim, a pergunta que o projeto deixa não é sobre música, Carnaval ou pop. É sobre visão, estratégia e Sold out.


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