Lula abre Assembleia Geral da ONU com apelo contra desigualdade e defesa da democracia
- RPI Webtv
- 23 de set. de 2025
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A abertura geral da 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas ocorreu nesta terça-feira (23).
Por João Lucas Duarte — rpi webtv

Reprodução: Mike Seggar/Reuters
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu, nesta terça-feira (23), a 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. Como ocorre desde 1955, coube ao Brasil inaugurar os discursos dos chefes de Estado, em uma sessão que marca os 80 anos da fundação da ONU.
Em sua fala, Lula reafirmou a defesa do multilateralismo e criticou medidas unilaterais que, segundo ele, enfraquecem a democracia e a cooperação internacional. O presidente destacou que o maior desafio da humanidade segue sendo o combate à desigualdade social. “A pobreza é tão inimiga da democracia e da paz quanto os extremismos políticos”, afirmou.
Ele também destacou o combate à fome como prioridade global e pediu mais esforços coletivos para garantir segurança alimentar. Lula, defendeu a redução de gastos com guerras e o aumento do investimento em inclusão social, além do alívio da dívida externa dos países pobres, sobretudo africanos.
Outro ponto abordado foi a defesa da autonomia das instituições brasileiras, em referência aos ataques contra o sistema judiciário e a democracia no país. Lula exaltou a atuação do Supremo Tribunal Federal nos julgamentos sobre crimes contra o Estado Democrático de Direito e afirmou: “Nossa democracia e nossa soberania são inegociáveis”.
No campo internacional, o presidente pediu o fortalecimento da ONU e a ampliação da participação de países com poder de voto nas grandes decisões. Criticou o enfraquecimento da Organização Mundial do Comércio e a proliferação de medidas unilaterais que, segundo ele, desorganizam cadeias globais de valor. Lula ainda abordou os principais conflitos internacionais. Sobre Gaza, afirmou que o povo palestino “corre o risco de desaparecer” e defendeu a criação de um Estado independente.
A abertura da Assembleia foi acompanhada de perto por líderes mundiais. Entre eles, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que assistiu ao discurso e, em seguida, encontrou brevemente Lula. Trump chamou o brasileiro de “um cara legal” e disse que os dois devem se reunir na próxima semana. Foi o primeiro contato entre os dois desde que reassumiram seus mandatos.
Com 193 países-membros, a ONU completa 80 anos sob o lema “Melhor juntos: 80 anos e mais para paz, desenvolvimento e direitos humanos”. O discurso de Lula reforçou o papel histórico do Brasil na defesa do diálogo e do combate às desigualdades, temas que marcaram a estreia do presidente na abertura da Assembleia em 2003 e continuam no centro de sua agenda internacional em 2025.


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